
Renata Lutfi
Aos 30 anos, Manuil Egídio Leal de Souza, atualmente joga pelo Cetaf/Vila Velha, do Espírito Santo, e garante ser o “paizão” de todos os jogadores do time, mesmo depois do mau exemplo que deu ao agredir um adversário em quadra. Em um papo descontraído, o pivô analisou a atual fase da seleção brasileira e vê o país no caminho certo para obter resultados expressivos a nível mundial. Manuil contou ao site Justicadesportiva.com.br também sobre sua experiência no exterior e como é ser bem visto até pelos rivais.
Site JD – Como você avalia o nível do campeonato de basquete na atual temporada?
Manuil – “Muito positivo. O basquete cresceu muito com esses dois anos de NBB (Novo Basquete Brasil). O primeiro ano foi de afirmação, de melhora, e o segundo ano está com grandes equipes, com um nível muito forte”.
Site JD – E a seleção brasileira?
Manuil – “Eu comecei a jogar basquete faz uns 12 ou 13 anos e não acompanhei muito a geração anterior, mas vejo que hoje, com a volta dos atletas da NBA, como o Nenê (ala-pivô do Denver Nuggets), acredito que a seleção dê um salto de qualidade para as próximas competições”.
Site JD – Na sua opinião, quais são as chances do Brasil nas próximas competições – Mundial de 2010 e Olimpíadas de 2012?
Manuil – “Muitas chances. Temos um grande time, uma grande seleção e um técnico que mostra que quer vencer e que vai tirar o melhor de cada um”.
Site JD – E os técnicos estrangeiros à frente da seleção brasileira, é uma boa? Primeiro foi o espanhol Moncho Monsalve e agora o argentino Guadano.
Manuil – “Eu não sou a favor ou contra técnicos estrangeiros. Acho apenas que temos bons técnicos aqui que poderiam estar na seleção, mas a diretriz da confederação foi de trazer técnicos de fora e não tenho nada a contestar sobre isso. São bons técnicos também”.
Site JD – Como você vê o trabalho nas categorias de base e o intercambio de jogadores?
Manuil – “Em Vila Velha tem apenas duas categorias de base, dos clubes profissionais, que fazem o máximo possível. O núcleo mesmo do basquete é em São Paulo, onde passei e vejo que estão investindo bastante na formação de jogadores”.
Site JD – Você acredita que o basquete está com mais espaço na mídia em relação aos outros anos e que isso tem levado mais torcedores aos ginásios?
Manuil – “O basquete nas mídias locais, como acontece em Vila Velha, onde atuo, tem ao menos uma matéria nos jornais por dia. Vejo também uma melhora a nível nacional”.
Site JD – Você é o jogador mais experiente do time e por isso um exemplo para os demais jogadores. Como você avalia seu papel no grupo fora de quadra?
Manuil – “A garotada do Cetaf tem uma média de 20 e poucos anos, e, como digo para eles, sou um paizão. Sempre se apóiam em mim, quando precisam, fora dos jogos principalmente. Normalmente as coisas que acontecem dentro de quadra são em decorrência de fatores externos. Sou um capitão que sabe da vida de todos meus companheiros e tento ajudá-los sempre da melhor forma”.
Site JD – O que você pode dizer do lance com o Duda, do Flamengo? Acha que vai ficar marcado por isto?
Manuil – “Nunca mais terei qualquer atitude parecida com essa na minha vida e vou fazer tudo o que fazia antes. Fui julgado pelo meu ato isolado, não pela pessoa que sou".
Site JD – O que sua experiência no exterior te acrescentou? O que tirou de positivo e negativo?
Manuil – “Eu cheguei na Espanha e a primeira coisa que disseram para mim é que não tinha noção de defesa, e isso é o que mais prezam por lá. A experiência fora de casa, de outra cultura, também foi muito boa”.
Site JD – Como vê o projeto liderado pelo ex-jogador Luiz Felipe à frente do Cetaf?
Manuil – “O projeto que estou faz quatro anos. Antes, era muito pequeno na parte profissional, mas a base nas escolas era muito grande. Temos o Cetaf com duas boas quadras, com todas as categorias de feminino e masculino, temos escolinhas também, que englobam 700 alunos”.
Site JD – E a rivalidade com o Saldanha da Gama, como é? Dizem que você se dá muito bem com a torcida rival...
Manuil – “É o nosso maior rival, mas eu tenho um ótimo relacionamento com os jogadores e com a torcida. Quando entro no ginásio, a torcida adversária canta uma música ao meu favor, dizendo que sou o único que joga no time do Cetaf. Cantar a música? Melhor não, tem palavrão! (risos), ‘P...q...p... o único que joga nesse time é o Manuil’ (risos). Depois do julgamento pelo que aconteceu contra o Flamengo, eu recebi milhares de mensagens, dizendo que não sou uma pessoa má”.
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